21 de mai de 2009

Digno

The following takes place between 6:00 am and 7:00 am

Foi uma temporada impecável. Moderação, sobriedade e um roteiro, básico, mas dinâmico, que não permitiu ao espectador "respirar" na cadeira da sua casa. 24 horas teve uma das melhores temporadas do ano. E mais abaixo digo o porquê.



1) Contou com um elenco de apoio na qual seus personagens tinham características próprias e não gerais;

2) Manteve a sofisticação do texto, marca presente em todas as temporadas de Bauer;

3) Abriu mão de apontar para o "resto do mundo" como inimigo mortal dos Estados Unidos. Faz uma espécie de mea culpa, lançando um olhar de desconfiança sobre sua própria nação;

4) Vinculou com precisão o passado das outras temporadas á esta. Não criando nenhuma espécie de confusão. E mesmo quem não assistiu as primeiras seasons, poderia acompanhar a temporada, mesmo com a independência que ela possuía;

5) Seus roteiristas sabem como poucos mesclar momentos de "emotividade" com lances cruciais para o desenvolvimento da história, sem que a mesma se torne um dramalhão previsível.

Contudo, a penúltima hora arriscou ao querer contar uma história que parecia se encaminhar para um happy end. Kim Bauer tinha 90% de certeza que estava prestes a ser vítima de algum plano maquiavélico, assim como Tony Almeida ao forçar um encontro com Alan Wilson, planejava mais do que ser parte da organização. Foi a mais "infeliz" das horas, pois contou com uma participação cansada de todo o cast, que inconscientemente desejavam COM FULGOR, o fim das gravações. Destaque para Sprague Grayden (Olivia Taylor) que manteve sua atuação arrogante e vingativa, fazendo com que a personagem demonstrasse plena naturalidade mostrando sua face.

A última hora foi reservada para muita tristeza. A situação da saúde de Jack foi comovente sem que o recurso pobre do pieguismo pudesse aparecer na tela. Tony e seu texto sobre vingança "manchou" um roteiro, até ali, enxuto e sem muitas arestas. Matar milhares de pessoas, unir pessoas com as quais trabalhou, para traí-los novamente e depois dizer que tudo foi em nome de "Michelle"... um pecado.

Muito bacana foram os temas abordados. A questão dos valores que carregamos. Se os fins são mais importantes que os meios. E que o PERDÃO ainda é uma palavra forte e difícil, mas que mantem seu jeito liquid paper, de passar um branco no passado e dar novas cores ao futuro. O dilema de Alisson Taylor, a mulher mais poderosa do planeta, mostrou o quanto a ética e a fidelidade, ainda podem pesar na decisão de qualquer pessoa, mesmo que o drama envolvido, inclua marido e filhos.

Por último, a série manteve algumas questões em aberto. A participação de Reneé Walker na próxima temporada é uma delas. Aparentemente, ela passa a ser uma espécie de vingadora do "bem". O tratamento de Jack Bauer através da ajuda de Kim, sua filha. E como Ethan e a Pres. Taylor irão tratar a questão dos inimigos invisíveis dos Estados Unidos, a começar pela aresta visível, chamada Alan Wilson.

Excelente temporada, recomendo a todos (mais uma vez). Sei que o tipo de personagem pode não ser atraente (um herói americano que salva tudo e a todos, principalmente compatriotas), mas existem outras qualidades que não podem ser menosprezadas, todas detalhadas pelos vários reviews aqui no LpS.

Até a próxima (temporada)!

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